Arthur Vasconcelos, Mateus Palma e Thiago Pessoa integram a delegação brasileira de 30 atletas que compete esta semana no Canadá. Acompanhados pelo técnico Caubi, vivem a experiência que mostra como a vela transforma trajetórias desde a infância.
No fim de semana, três crianças da Flotilha da Garoa atravessaram o continente para defender as cores do nosso clube na maior competição de Optimist das Américas. Arthur Vasconcelos, Mateus Palma e Thiago Pessoa integram a delegação brasileira de 30 atletas que disputa, entre os dias 21 e 28 de maio, o Campeonato Norte-Americano de Optimist em Halifax, na província de Nova Scotia, no Canadá. Acompanham os atletas o nosso técnico Caubi, da Flotilha da Garoa, e Rafa, team leader da delegação brasileira.
Os caminhos que a vela abre
Para grande parte dessas crianças, esta é a primeira viagem internacional como atletas, muitas vezes a primeira viagem internacional da vida, e em muitos casos a primeira vez longe de casa sem a família. Eles embarcam não como turistas, mas como representantes do Brasil e do nosso clube, com a responsabilidade que isso carrega e a leveza que só a infância permite. Em Halifax encontram um país novo, uma cultura nova, uma língua nova, uma comida nova e raias de regata em águas que nunca navegaram. Convivem com atletas vindos de contextos completamente diferentes dos seus, que velejam em outros mares, falam outros idiomas e treinam dentro de realidades que pouco conversam com a Guarapiranga.
Cada hora dentro da raia em Halifax é uma hora de aprendizado bem diferente do que a nossa represa conseguiria proporcionar. Mas o ganho maior talvez aconteça fora da água. Compartilhar quartos, refeições e deslocamentos com colegas de equipe, lidar com o frio, com o jet lag, com a saudade, com a empolgação da estreia internacional, com o nervosismo de uma penalidade que vem ou de uma largada que não saiu como o esperado. Tudo isso é formação. Uma viagem assim, nessa idade, é muito mais do que um campeonato. É um capítulo de vida que dificilmente caberia em qualquer outro contexto.
A vivência acima do título
Como bem coloca o técnico Caubi, a vivência que essas crianças constroem ao longo desses dias acaba sendo, no fim das contas, mais importante do que qualquer título ou vitória que possam conquistar. É essa convicção que orienta o trabalho da Flotilha da Garoa há muitos anos, e é por isso que cada viagem internacional dos nossos atletas é, antes de tudo, uma oportunidade de formação humana. Resultado virá, e quando vier será celebrado. Mas o que essas crianças constroem agora, em cada conversa de equipe, em cada largada, em cada momento de adaptação a um lugar novo, é o que vão carregar pela vida toda. E é o que, no fim, sustenta a história da nossa escola de vela.
Arthur, Matheus e Tiago levam o YCSA em cada largada desta semana, e seguimos torcendo daqui do clube por cada um deles.
Esses são os dias em que a Guarapiranga olha para o mar do norte e se reconhece.
Bom campeonato, Garoa!

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