Marcelo Bellotti e Maurício Bueno venceram o Campeonato Brasileiro da Classe Star, disputado na 39ª Semana Internacional de Vela do Rio de Janeiro.
Entre os dias 11 e 13 de setembro, o Yacht Club Santo Amaro venceu o Campeonato Brasileiro da Classe Star. Marcelo Augusto Bellotti, no leme, e Maurício Bueno, na proa, fecharam as seis regatas com 9 pontos, na raia do Iate Clube do Rio de Janeiro, dentro da Baía de Guanabara. O campeonato foi disputado como parte da 39ª Semana Internacional de Vela do Rio de Janeiro.
A Semana Internacional é uma das competições mais tradicionais do calendário brasileiro. Está na 39ª edição, é organizada pelo Iate Clube do Rio de Janeiro sob o Comitê Brasileiro de Clubes e não se resolve num fim de semana só. Ela ocupa quase um mês entre agosto e setembro, dividida em etapas por classe, e passa por praticamente toda a vela nacional. O Optimist abriu a temporada no fim de agosto, depois vieram ILCA, 420 e 29er, na sequência Dingue e Snipe, e a Star e a HPE 25 fecharam o calendário. Somando as classes, são mais de 380 barcos inscritos e clubes de vários estados na mesma água.
A raia da Baía de Guanabara é parte da dificuldade. Quem treina na Represa de Guarapiranga está acostumado a uma água fechada, sem maré e com o vento condicionado pelo relevo em volta. A Baía tem corrente, ondulação e o vento reagindo à cidade e ao mar aberto ao mesmo tempo. Desta vez, nem quem conhece a raia reconheceu o que encontrou. “Foram dias desafiadores. Tivemos um regime de vento muito fraco e bem incomum para a Baía de Guanabara”, disse Bellotti depois da premiação.
Foram seis regatas com um descarte, o que significa que o pior resultado de cada barco saiu da conta e os outros cinco ficaram. Bellotti e Bueno venceram três delas e não terminaram nenhuma fora dos cinco primeiros. O pior resultado da série, um quinto lugar, foi justamente o que puderam descartar.
O título só se resolveu no último dia. A disputa era com Lars Grael e Renato Moura, do Iate Clube do Rio de Janeiro, que venceram a Star da Semana Internacional no ano passado. Na primeira regata de domingo a dupla carioca venceu e a do YCSA ficou em quinto, o que apertou a conta. “Nosso principal adversário era o Lars Grael e o Renato Moura. Nós fizemos uma primeira regata difícil, hoje, ficamos em quinto e eles em primeiro, o que nos deixou numa situação difícil. Mas ganhamos as outras duas, foi um dia muito legal”, contou Bellotti. As duas vitórias seguidas fecharam o campeonato com cinco pontos de vantagem.
O clube não colocou só o campeão na água. Marcelo Fuchs e Ubiratan Matos terminaram em terceiro, com 19 pontos, e completaram o pódio. Arthur Vasconcellos e Marco Lagoa ficaram em sexto e venceram a terceira regata.
Vale explicar o barco, porque a Star tem uma história que quase nenhuma outra classe tem. Ela foi projetada em 1910 por Francis Sweisguth, e os primeiros 22 barcos foram construídos no inverno seguinte em Port Washington, no estado de Nova York. São dois tripulantes em quase sete metros de casco, com uma vela grande demais para o tamanho do barco e uma quilha pesada embaixo. Não usa balão em nenhum momento, nem navegando com o vento por trás, o que torna a regata inteira uma disputa de ajuste fino e de leitura de vento. A Star entrou no programa olímpico em Los Angeles 1932 e só saiu depois de Londres 2012, oitenta anos depois. É a classe que ficou mais tempo nos Jogos, e por ela passou boa parte dos maiores velejadores do mundo.
No YCSA ela também tem história. Este é o quinto título do clube na Star da Semana Internacional. O primeiro veio em 1991, com Jorge Zarif e Luiz Carlos Simão. Depois vieram três seguidos de Robert Scheidt e Bruno Prada, em 2004, 2005 e 2007, no meio da campanha que levaria a dupla à medalha olímpica. De lá para cá, o título tinha ficado fora da Guarapiranga por dezenove anos.
Um resultado assim não sai de um fim de semana bom. Sai de frota ativa, de gente treinando junto durante o ano inteiro e de um clube que mantém a classe viva enquanto ela some de outros lugares. Parabéns aos nossos atletas!
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O YCSA conta com o patrocínio @keldogoficial e @oterprem, além de recursos do Ministério do Esporte e do Comitê Brasileiro de Clubes @cbclubes.