Entre os dias 4 e 7 de setembro, o Iate Clube do Rio de Janeiro sediou a 39ª Semana Internacional de Vela do Rio de Janeiro, uma das competições mais tradicionais do calendário brasileiro. Na classe 420, foram 18 barcos na raia da Baía de Guanabara, reunindo as principais duplas Sub-19 do país em cinco regatas com um descarte. O título geral ficou com Arthur Back e Bernardo Bacha, do clube anfitrião.
Entre elas estavam Zoe Bakx, velejadora do YCSA, e Julia Cunha Miguez, do Iate Clube do Rio de Janeiro, que terminaram o campeonato em 10º lugar na classificação geral e em 3º entre as duplas femininas da frota, com 33 pontos líquidos. O fim de semana teve um momento alto: na terceira regata, as duas cruzaram a linha em 3º lugar, a melhor parcial de todos os barcos do YCSA na classe 420 durante a competição. A Flotilha 420 do clube levou cinco barcos ao Rio, entre eles o de Sarah Biekarck Juliani e Isabela Muller Moura, que fecharam logo atrás, em 11º geral, e o de Luca Boranga, vice-campeão da classe.
Quem acompanha vela de perto sabe que um resultado no 420 raramente é individual. A classe é disputada em barcos de dois velejadores, com funções distintas e complementares, e o rendimento depende de uma coordenação que só a repetição constrói. Por isso, formar uma dupla é, na prática, a etapa mais difícil da trajetória de um atleta da classe. É preciso encontrar alguém no mesmo nível técnico, com disponibilidade equivalente, com a mesma disposição para abrir mão de fins de semana ao longo de uma temporada inteira. Talento não costuma ser o que falta. O que falta, quase sempre, é a parceria capaz de se sustentar de uma regata à outra.
A Zoe encontrou essa parceria na Julia, velejadora de outro estado, e é no Rio de Janeiro que ela treina para manter a constância que a dupla exige. Isso significa acertar calendário com antecedência, organizar viagens e montar a rotina de estudos e de casa em torno do barco, semana após semana, para chegar afinada nas competições. É um esforço que não aparece na súmula e que vale a pena nomear, porque descreve bem o que existe por trás de boa parte das colocações que o clube publica. Cada uma delas carrega meses de treino, de deslocamento e de apoio familiar.
Duplas formadas entre clubes diferentes são comuns na vela e dizem algo sobre o esporte: o que aproxima os atletas é o nível técnico e o compromisso com a temporada, não o endereço. Ver uma velejadora formada aqui entre as três melhores duplas femininas de um campeonato desse porte diz muito sobre o caminho que a Flotilha 420 vem construindo. Parabéns à Zoe e à Julia pelo resultado, e a todos os velejadores do clube que sustentam essa rotina ao longo do ano.
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